Porto de Santos aumenta o calado operacional para 13 metros

Redução, anunciada em julho, causou prejuízos financeiros a empresas portuárias no 1º semestre de 2017



Profundidade foi recuperada no trecho 1 do canal de navegação (Foto: Carlos Nogueira/AT)
O Porto de Santos recuperou parte da profundidade do trecho 1 do canal de navegação, que vai da entrada da Barra até o Entreposto de Pesca. Com isso, agora, embarcações com até 13 metros de calado (distância vertical da parte do casco que permanece submersa) estão autorizadas a trafegar no complexo marítimo, em condições normais de maré. 
A medida foi divulgada no sábado (5) pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A decisão foi tomada após a análise, por parte da Autoridade Marítima, de uma batimetria (levantamento de profundidade) encaminhada pela estatal que administra o Porto de Santos. 
De acordo com o capitão de mar e guerra Alberto José Pinheiro de Carvalho, que é comandante da CPSP, esta batimetria foi feita na quinta-feira (3) e entregue no dia seguinte para a análise da Marinha do Brasil. A previsão, segundo o oficial, é de que a Docas entregue, ainda neste mês, um novo levantamento de profundidade para que o calado retorne aos 13,2 metros. 
“Agora, eles (a Dragabras, contratada pela Codesp) continuam a dragagem. Vão fazer outras batimetrias e, se elas apresentarem melhores resultados, o calado poderá ser restabelecido ao patamar anterior”, destacou o capitão dos portos. 
No dia 30 de junho, por conta do assoreamento (deposição de sedimentos), no trecho 1 do canal de navegação, as autoridades portuária e marítima foram obrigadas a restringir a navegação para navios com até 12,3 metros de calado.
Uma semana depois, após pressão dos empresários e esforços de dragagem especificamente no trecho 1, houve uma pequena recuperação da profundidade. Isto permitiu a elevação do calado operacional para 12,6 metros. 
De acordo com o capitão dos portos, o ideal é que, além da continuidade da dragagem, a Codesp providencie batimetrias regulares para avaliar a profundidade do canal de navegação do cais santista. 
“Conversei com o Hilário (Gurjão, diretor de Engenharia da Docas) e falei da importância de se manter batimetrias constantes, com um período menor entre uma da outra. Ele me disse que ia perseguir a meta de realizá-las a cada mês. A vantagem, neste caso, é que as perdas seriam menores em caso de assoreamento”, explicou o capitão dos portos. 
Transtornos
A redução do calado no trecho 1 do canal de navegação pegou os usuários do Porto de surpresa. Além dos prejuízos financeiros, eles apontaram transtornos logísticos causados pela restrição no cais santista. 
O Centro Nacional da Navegação (Centronave) estimou em R$ 109 milhões o prejuízo semanal causado aos armadores que escalam no cais santista. 
Desde que o calado Porto de Santos foi reduzido, dezenas de embarcações precisaram fazer escalas extras em outros complexos portuários para descarregar. Além disso, cargas que já estavam com previsão de embarque tiveram de ficar armazenadas terminais mais tempo do que o previsto. Com isso, os prejuízos se acumularam. 
Segundo dados do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), a cada centímetro a menos de calado, deixa-se de embarcar entre sete e oito contêineres. Com a redução atual, isso representa uma perda de carregamento de até 720 caixas metálicas ou 5 mil toneladas de carga por viagem.

Comentários